Ubuntu: cada vez mais… surpreendente!

No “longínquo” ano de 2004, nasce mais uma – entre várias outras – distribuições Linux: o Ubuntu. Na época, ele até teve uma recepção bem fria, mas devido às suas limitações: parte da não aceitação foi por causa da enorme quantidade de distribuições que já existiam até então. Porém, dada a sua proposta de oferecer um sistema simples, fácil de usar e “feito para seres humanos”, além de trazer boas inovações, a renomada distribuição patrocinada pela Canonical conquistou o seu espaço, tornando-se atualmente a mais popular entre os sistemas livres para os desktops…

Ubuntu 10.04 e seu belo “look-and-feel”, perfeitamente ajustável em netbooks.

Vamos conhecer (mais uma vez) um pouco da sua história?

Em outubro de 2004, a Ubuntu Foundation lança a primeira versão da distribuição: 4.10 (Warty Warthog). Trazendo um sistema básico, baseado no ambiente gráfico GNOME e com uma boa coletânea de aplicativos, a proposta inicial era apenas ser uma distro simples e fácil de usar. Para isto, todos os aprimoramentos possíveis foram feitos para oferecer a melhor experiência de usabilidade possível, como a customização do ambiente gráfico, automação de rotinas para a detecção de hardware e a inclusão dos aplicativos essenciais para as atividade mais comum. E o mais importante, prover todos os recursos essenciais para tornar o uso do terminal dispensável, eliminando assim um antigo fantasma que assombra o Tux há anos: a aversão dos mais novos pela interface em modo texto.

Ironicamente, as primeiras versões não tinham o instalador gráfico, o principal facilitador para os novos usuários que desejam realizar experimentos, tal como o conhecemos atualmente. Para variar, existiam duas versões distintas de mídias, onde uma poderia ser utilizada como live-CD (apenas para testes) e a outra era usada para a instalação do sistema. Felizmente, à partir da versão 6.10 (Edgy Eft), o sistema completo passou a ser oferecido em uma só mídia, possibilitando tanto o teste no modo live-CD como a instalação automática, que por sua vez poderia ser feita através de um assistente gráfico chamado Ubiquity (já implementado anteriormente no Dapper Drake) e que aumentou consideravelmente a receptividade dos novatos.

Dada as limitações de muitos PCs antigos, passou a ser oferecida também a versão Alternate CD, que é basicamente o mesmo sistema com a única opção de realizar a instalação em modo texto. Além disso, passamos a ter a facilidade de realizar o upgrade do sistema para uma versão mais nova, bastando apenas inserir a mídia no drive e deixar que o processo automático de detecção da mídia faça o trabalho. Bem mais à frente, foi disponibilizado o Startup Disk Creator, uma ferramenta que providencia a cópia dos arquivos de instalação (seja do CD ou da imagem ISO) para um pendrive com a partir de 1 GB, o que possibilitou realizar a instalação do sistema em computadores desprovidos de drives ópticos, como é o caso dos netbooks.

Eis, uma das primeiras inovações interessantes da Canonical: distribuir gratuitamente as mídias de instalação do Ubuntu aos interessados que solicitarem através do serviço ShIpit, bastando apenas fazer um cadastro das informações necessárias para o envio. Em média, demorava um pouco mais de um mês para a chegada do CD, mas para aqueles que porventura não tenham acesso a uma conexão de banda-larga, o serviço em si era de grande utilidade. Aliás, quem é que se arriscaria a baixar 700 MB numa conexão discada ou “banda-lerda” 3G? Infelizmente, o serviço deixou de funcionar recentemente, em virtude da boa oferta de serviços de banda-larga e a facilidade de se baixar as mídias nos dias de hoje.

Naturalmente, após o fácil e automatizado processo de instalação gráfica se firmar, outras qualidades importantes vieram logo em seguida, como o processo de detecção de hardware automatizado. As rotinas que gerenciam o hardware “por baixo dos panos”, junto com as implementações feitas para a distribuição, proporcionaram a detecção de todos os dispositivos e periféricos disponíveis, facilitando a vida dos usuários leigos. Em sistemas tradicionais como o Debian e o Slackware, o conhecimento das ferramentas e dos arquivos de configuração eram essenciais para habilitar o uso dos recursos de hardwares presentes; no Ubuntu, o processo de detecção se dava automaticamente, sem maiores percalços.

Mais à frente, vieram o suporte a drivers proprietários. Diferente de distribuições puristas como o Debian, além de outras não tão amigáveis, o Ubuntu procurou dar aos seus usuários, toda a infraestrutura necessária – aka drivers – para ter corretamente configurados, todos os seus periféricos “problemáticos”. Placas de vídeo – em especial a AMD/ATI e a nVidia – e chipsets de redes sem-fio, bem como inúmeros outros hardwares fabricados, podem ser perfeitamente reconhecidos no Ubuntu sem grandes mistérios. De vez em quando, os drivers da nVidia teimavam em funcionar à contento com certos updates do servidor gráfico X.org, assim como os IGPs da SiS e Via não eram detectados corretamente, mas acreditem: as outras distribuições também sofriam dos mesmos males.

A inicialização também sofreu profundas mudanças para agilizar a inicialização do sistema. Através do UpStart, todo o gerenciamento do processo de carregamento dos serviços, são simplificados, de forma a garantir o menor tempo de inicialização (do ligar o computador até a disposição do ambiente gráfico). Ao invés de executar os scripts de modo sincronizado (tal como é feito no método Sysinit), os serviços são inicializados através de um esquema baseado em eventos (p. ex., a disponibilidade da rede ou a conexão de determinado periférico), onde a sua execução é “disparada” assim que tais ocorrências são notificadas.

Em tempos de Computação nas Nuvens, o Ubuntu não demorou para oferecer os clássicos serviços desta categoria. Um deles, o armazenamento das informações nas nuvens, fez a Canonical criar o Ubuntu One, um drive virtual que é integrado ao sistema, possibilitando sincronizar as informações armazenadas no computador nos servidores que hospedam o serviço. Além dos dados, o usuário também pode manter contatos armazenados em certos modelos de smartphones, além de bookmarks e outras informações que ele desejar. Inclusive, o suporte à loja de músicas também permite o armazenamento das faixas adquiridas.

Falei “loja de músicas”? Esta seria outra novidade que poderia se passar em branco, se não fosse a iniciativa da Canonical em oferecer a Ubuntu One Music Store. Baseada na plataforma 7Digital como backend, o Rhythmbox (a aplicação designada para a reprodução de áudio) oferecia uma interface integrada, na qual os usuários poderiam montar suas coletâneas desejadas, além de ter a opção de armazená-las nas nuvens, através do serviço Ubuntu One. E claro, reproduzi-la, tal como faríamos com um bom player! Embora comparada (injustamente) como a “iTunes para o Tux”, o serviço traz como grande diferencial a inexistência do tão odiado DRM, possibilitando reproduzir as músicas adquiridas em qualquer dispositivo eletrônico.

Para toda esta gama de recursos, a disponibilidade de aplicativos será essencial para prover as interações e funcionalidades necessárias, com a finalidade de aproveitarmos todos os seus potenciais. Para isto, o Ubuntu reserva a sua AppStore Ubuntu Software Center, os quais não só integram as principais aplicações livres, como também provê a infraestrutura necessária para que as aplicações proprietárias possam ser obtidas comercialmente, sem maiores inconvenientes. Por exemplo, assim que o joguinho Angry Birds sair para o Tux, será bem provável que não deixarei de comprá-lo! 😉

Por fim, a mais importante das inovações: a usabilidade. Embora as demais distribuições buscassem – à sua maneira – prover as melhores experiências possíveis de usabilidade, foi através do Ubuntu que o GNOME ganhou o mundo, por receber pequenas customizações e melhorias visuais, proporcionando a acessibilidade e o conforto desejados pelos seus usuários. Em grande parte, o mérito se deu ao próprio GNOME, ao conceber um ambiente gráfico com excelente usabilidade (através do GNOME Human Interface Guidelines); mas com os retoques finais da Canonical, ele se tornou o mais apreciável ambiente gráfico moderno para os sistemas Unix.

Todos estes eventos os quais descrevo de forma resumida, assim como as impressões causadas e a aceitação (ou rejeição) de seus críticos e usuários, moldaram o Ubuntu e o universo de distribuições Linux, tornando-o aquilo o que ele é nos dias atuais: a distribuição mais popular e inovadora do mundo! E provavelmente continuará sendo assim durante muito tempo, no decorrer de sua existência.

Mas agora, devido à concepção e uso do Unity, além da popularização dos dispositivos portáteis como os netbooks e tablets, novos capítulos na história do Ubuntu serão escritos. O GNOME, presente como backend ou ausente em virtude da substituição do GNOME Shell, irá registrar momentos históricos para serem lembrados em tempos futuros. Por fim, a renovação da nova série do kernel Linux (3.0) também deixará o seu legado, ainda que inicialmente as mudanças sejam pequenas em relação à geração anterior.

O que fazer, quando estes tempos chegarem? Bem, se até lá estarei utilizando o Ubuntu, não sei dizer; porém, estarei acompanhando todos os eventos e as notícias relacionadas!

Por Ednei Pacheco <ednei [at] hardware.com.br>

Fonte: Hardware.com.br

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